A crítica cultural precisa voltar a incomodar
Entre o elogio automático e a cancelação rápida, sumiu o espaço da crítica que discute — com tempo, matéria e risco.
Por Redação · 19 de abril de 2026
Há duas formas fáceis de escrever sobre cultura em 2026. Uma é elogiar tudo, em linguagem publicitária, porque o acesso ao artista depende disso. A outra é demolir, em linguagem de rede social, porque o engajamento depende disso. As duas evitam o trabalho do meio — pensar, com calma, sobre o que foi feito.
Esse meio é desconfortável para todo mundo. Para quem escreve, porque exige tempo e estudo. Para o artista, porque expõe o que não funciona. Para o leitor, porque pede atenção. É por isso que ele tem sumido.
Mas é também por isso que ele importa. Sem crítica séria, a obra não conversa com nada — fica suspensa em um elogio vazio ou em um ataque vazio. A obra precisa do atrito para existir como obra.
A proposta de Vozes é modesta: escrever sobre música, cinema, literatura, televisão e cena como se ainda fizesse diferença o que se diz. Com opinião, com risco, sem grito. E, claro, sem o automático de quem já sabe o que vai pensar antes de olhar.