Candidatos estão colocando saúde mental e benefícios diferenciados na balança na hora de escolher um emprego
Levantamento do Infojobs mostra avanço de benefícios como licença parental estendida e auxílio pet nas vagas publicadas no país, num momento em que afastamentos por saúde mental batem recorde e a rotatividade no mercado de trabalho formal volta a crescer
Por Redação · 30 de julho de 2026

O salário deixou de ser o único argumento na disputa por talentos. Levantamento do Infojobs, plataforma líder em recrutamento e seleção no Brasil, mostra que empresas brasileiras já incluem benefícios voltados ao bem estar e à vida pessoal do candidato como parte da oferta de vagas, entre eles licença parental estendida e auxílio para cuidar de animais de estimação.
Segundo o levantamento, das 181.992 vagas publicadas na plataforma no primeiro trimestre de 2026, 2.007 (1,1% do total) mencionam licença parental como benefício oferecido. Outras 228 vagas (0,13%) citam auxílio ou licença para cuidados com pets, um benefício ainda incipiente, mas que já aparece no radar de algumas empresas como diferencial de atração e retenção.
O surgimento desse tipo de benefício acompanha uma mudança de perfil dos lares brasileiros. Segundo dados do IBGE e da Abinpet, o Brasil tem hoje cerca de 1,8 animal de estimação por residência e ocupa a terceira posição no ranking mundial de população pet. Em muitas famílias, o pet já é tratado como parte do núcleo doméstico, o que ajuda a explicar por que cuidar do bem estar dos animais de estimação dos colaboradores passou a fazer sentido também como política de RH.
O tema ganha urgência também pelo lado da saúde mental. Segundo dados do Ministério da Previdência Social e do INSS, o Brasil registrou mais de 534 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais em 2025, novo recorde da série histórica. O número ajuda a explicar por que questões como suporte psicológico, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e qualidade de vida passaram a pesar tanto quanto o salário na decisão de aceitar ou permanecer em um emprego.
O movimento identificado pelo Infojobs ganha relevância num contexto em que a retenção de profissionais se tornou mais desafiadora para as empresas brasileiras. Segundo o Novo Caged, sistema do Ministério do Trabalho e Emprego, a taxa de rotatividade do emprego formal no Brasil passou de 32,79% em 2024 para 33,64% em 2025, alta que reforça a pressão sobre as empresas para investir em políticas que ajudem a segurar talentos além do salário.
Para o Infojobs, esse cenário reflete uma mudança na forma como candidatos avaliam uma proposta de trabalho. Cada vez mais, fatores como flexibilidade, cultura organizacional e suporte à vida pessoal entram na balança junto com a remuneração, no que o mercado vem chamando de salário emocional.
Apesar do crescimento, o levantamento do Infojobs aponta que benefícios desse tipo ainda representam uma fração pequena do total de vagas no país, o que indica espaço para crescimento nos próximos trimestres, à medida que mais empresas adotam políticas de bem estar como estratégia de retenção. Já o auxílio adoção ou fertilidade não aparece nas vagas analisadas no período, um indicativo de que o tema ainda é pouco explorado pelas empresas brasileiras.