Do adeus do Sepultura ao blues do ZZ Top: o que esperar da temporada rock'n'roll da Suhai Music Hall
A casa paulistana concentra, entre novembro e dezembro, uma sequência rara de shows que reúne despedida histórica, retornos aguardados e lendas em plena atividade

Por Thiago Freitas · 23 de setembro de 2026

Há temporadas em que a agenda de uma casa de shows diz mais sobre o momento da música do que qualquer análise de mercado. É o caso da programação que a Suhai Music Hall desenha para a reta final de 2026.
Em pouco mais de um mês, o público paulistano vai atravessar quatro capítulos distintos da história do rock: o metal brasileiro que rompeu fronteiras, o blues-rock americano que virou linguagem universal, o rock alternativo de vocação quase cerimonial e o hard rock que serviu de pedra fundamental para tudo o que veio depois.
No centro dessa sequência, um evento que ultrapassa o calendário de shows e entra no terreno da memória cultural: o último show da carreira do Sepultura.
7 de novembro: o ponto final de uma história que começou em Belo Horizonte
Depois de mais de quatro décadas levando a música pesada brasileira aos maiores palcos do planeta, o Sepultura marcou para 7 de novembro o encerramento oficial de sua trajetória, dentro da turnê"Celebrating Life Through Death", iniciada em 2024.
Vale um registro importante: o show foi originalmente anunciado para a Mercado Livre Arena Pacaembu e teve o local alterado para a Suhai Music Hall, mantida a mesma data. Os ingressos já adquiridos seguem válidos, com realocação automática de setores — sem necessidade de troca.
A despedida terá formato de celebração ampliada, com participações já confirmadas do supergrupo Metal Allegiance — que reúne Mike Portnoy, Alex Skolnick, Chuck Billy, Phil Demmel, Troy Sanders e Mark Menghi —, além de Krisiun e Sacred Reich. Ex-integrantes como Jean Dolabella e Jairo Guedz, da formação original, também foram convidados.
O que o Rock in Rio já antecipou sobre essa despedida
Quem quiser prever o clima da noite tem um ensaio geral recente e revelador: a apresentação no Rock in Rio, em 5 de setembro, penúltimo show da banda no Brasil.
O Sepultura abriu o Palco Mundo às 16h40, sob chuva, em um horário que boa parte da crítica considerou pequeno demais para o tamanho do momento. A avaliação do Omelete foi direta: a banda merecia mais tempo e mais destaque.
Mas foi a escolha de repertório que transformou a apresentação no assunto do festival. O quarteto formado por Derrick Green, Andreas Kisser, Paulo Jr. e o jovem baterista Greyson Nekrutman tocou exclusivamente músicas gravadas a partir de "Against" (1998) — ou seja, apenas a era Derrick Green. Nada de "Roots Bloody Roots", "Territory" ou "Refuse/Resist". As quatro faixas do EP "The Cloud of Unknowing" entraram no set, incluindo "Sacred Books", apresentada ao vivo pela primeira vez.
A decisão não foi improviso. Kisser explicou no palco que a noite era uma homenagem ao vocalista — hoje o mais longevo da história da banda. A leitura crítica dividiu-se entre quem viu ali um gesto de reconhecimento justo e quem sentiu falta do momento coletivo de gritar os clássicos.
O saldo, porém, foi amplamente positivo. Regis Tadeu apontou a apresentação como o ponto mais alto dos três primeiros dias do festival e afirmou que o Sepultura "vai terminar no auge". O Globo destacou a garra e a competência de sempre, além do uso impecável dos telões do novo Palco Mundo. "Corrupted" foi o momento de catarse, com mosh pits abrindo por toda a pista.
O que isso indica para São Paulo
Primeira leitura: não há desgaste artístico. O que se viu no Rio foi uma banda tecnicamente afiada, com um baterista de 24 anos sustentando o peso sem esforço aparente.
Segunda: o setlist do último show é a grande incógnita. Se o Rock in Rio foi deliberadamente dedicado à era Green, é razoável esperar que a despedida definitiva abra espaço para a discografia completa.
Terceira: o fator emocional tende a ser incomparavelmente maior. No Rio, o Sepultura se despedia de um festival. Em São Paulo, despede-se do palco.
Serviço — Sepultura 7 de novembro de 2026 (sábado) | Abertura 15h | Show 20h30 🎟️ Ticketmaster Preços originais da venda oficial: Arquibancada Norte R$ 150 (meia) / R$ 300 (inteira); Pista R$ 190 / R$ 380; Cadeira Oeste e Leste R$ 285 / R$ 570; Cadeira Oeste Coberta R$ 300 / R$ 600; Pista Premium R$ 310 / R$ 620.
21 de novembro: ZZ Top e o retorno depois de 16 anos
Duas semanas depois, o clima muda completamente.
O ZZ Top retorna ao Brasil com a turnê"The Big One!" após mais de 16 anos longe do país, encerrando em São Paulo a série de apresentações realizada pela Infinito Entretenimento e MCA Concerts.
O que esperar? Riff, groove e economia. Formado por Billy F. Gibbons, Frank Beard e Elwood Francis, o trio texano construiu sua reputação sobre uma fórmula deceptivamente simples: blues elétrico com swing e identidade visual inconfundível. Mais de 60 milhões de discos vendidos e uma entrada no Rock and Roll Hall of Fame apadrinhada por Keith Richards dão a dimensão do legado.
O verdadeiro diferencial aqui é a raridade — o intervalo de 16 anos desde a última passagem fala por si.
Serviço — ZZ Top 21 de novembro de 2026 (sábado) | Portões 19h | Show 21h Site oficial Suhai Music Hall | Vendas pela Uhuu Pista R$ 345 / R$ 690 · Pista Premium R$ 445 / R$ 890 · Mezanino (central, direito ou esquerdo) R$ 295 / R$ 590 · Camarote A/B/C 1º piso R$ 395 / R$ 790 · Camarote A/C 2º piso R$ 345 / R$ 690 · VIP Premium Package R$ 1.240 / R$ 1.685
27 de novembro: A Perfect Circle e o retorno mais aguardado do rock alternativo
Se o ZZ Top entrega imediatismo, o A Perfect Circle trabalha no extremo oposto do espectro.
A banda liderada por Maynard James Keenan volta ao Brasil depois de mais de uma década de ausência, em apresentação única — com participação especial do Puscifer, outro projeto encabeçado pelo vocalista. Em 2026, o grupo iniciou novo capítulo com o lançamento do single "Starless".
O que esperar? Densidade. O A Perfect Circle nunca foi banda de catarse imediata: sua força está na construção atmosférica e na voz que oscila entre o sussurro e a explosão. A presença do Puscifer na mesma noite amplia o valor do evento, dando ao público acesso a duas facetas distintas do universo criativo de Keenan.
Serviço — A Perfect Circle + Puscifer 27 de novembro de 2026 (sexta-feira) | Portões 19h | Show 21h Site oficial Suhai Music Hall | Live Nation Pista R$ 280 / R$ 560 · Pista Premium R$ 455 / R$ 910 · Mezanino 2º piso R$ 445 / R$ 890 · Camarote 2º piso A/B R$ 460 / R$ 920 · Camarote 1º piso A/B R$ 470 / R$ 940
5 de dezembro: Deep Purple fecha o ano com os arquitetos do hard rock
O encerramento da temporada cabe a quem escreveu boa parte do manual.
Com produção da Mercury Concerts, o Deep Purple faz apresentação única no Brasil. A formação atual — Ian Gillan, Roger Glover, Ian Paice, Don Airey e Simon McBride — combina clássicos como "Smoke on the Water", "Highway Star" e "Perfect Strangers".
O que esperar? História executada ao vivo por seus próprios autores. São mais de 100 milhões de álbuns vendidos, 15 turnês pelo Brasil e mais de 70 shows no país ao longo da carreira. Mais do que exercício nostálgico, o show tende a funcionar como demonstração de longevidade artística.
Serviço — Deep Purple 5 de dezembro de 2026 (sábado) | Portões 19h | Show 21h Site oficial Suhai Music Hall | Eventim Pista R$ 230 / R$ 460 · Mezanino R$ 230 / R$ 460 · Mezanino Lateral (dir./esq.) R$ 320 / R$ 640 · Pista Premium R$ 400 / R$ 800 · Camarote C R$ 410 / R$ 820 · Camarote B R$ 430 / R$ 860 · Camarote A R$ 450 / R$ 900 Parcelamento em até 4x sem juros (online e bilheteria)
Uma sequência que não se repete com frequência
Em menos de 30 dias, São Paulo assiste a uma despedida definitiva, a um retorno após 16 anos, a um reencontro depois de mais de uma década e a uma passagem única de uma banda fundadora. Cada show ocupa uma posição diferente na linha do tempo do rock — e, juntos, funcionam quase como um panorama do gênero em suas múltiplas idades.
Mas todos os caminhos levam ao dia 7 de novembro. Quando as luzes se apagarem após a última música do Sepultura, o que termina não é apenas a carreira de uma banda. É um dos capítulos mais influentes já escritos pela música brasileira em escala internacional.
Endereço: Suhai Music Hall — Av. das Nações Unidas, 22.540, Jurubatuba, São Paulo/SP.
Valores sujeitos a alteração conforme lote e disponibilidade.
Comentários1
Jonas Strausshá 33 min
SEPULTURA DO BRASIL!!
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