O novo desafio das marcas na era da atenção fragmentada
Por Christina Santiago, diretora de Marketing da Morana
Por Por Christina Santiago, diretora de Marketing da Morana · 29 de setembro de 2026

Até pouco tempo, uma das principais perguntas do marketing era “quantas pessoas queremos alcançar?” Em 2026, essa pergunta precisa ser acompanhada de outra, talvez mais importante “quantas pessoas queremos envolver?”
A mudança parece sutil, mas diz muito sobre o momento da comunicação. Número de seguidores, alcance e visualizações continuam relevantes, mas já não contam toda a história. É preciso entender quantas pessoas realmente param diante de um conteúdo, interagem, salvam, compartilham ou, principalmente, se identificam com ele.
Em um ambiente de atenção cada vez mais fragmentada, conquistar alguns segundos do consumidor tornou-se um desafio. E, para as marcas, isso exige ir além da exposição do produto.
Na Morana, percebemos que não basta mostrar nossos produtos. Precisamos inspirar a mulher a enxergar possibilidades, fazendo com que elas saibam mais sobre como usar, combinar, transformar um look ou expressar sua personalidade por meio daquele acessório. O produto continua no centro do negócio, mas a comunicação precisa construir contexto ao redor dele.
Esse desafio se torna ainda mais interessante quando falamos com um público amplo como o nosso. A Morana conversa com mulheres de 25 a 60 anos, principalmente das classes B e C, que transitam entre estilos muito diferentes.
Por isso, não existe “uma mulher Morana”. Existem muitas mulheres Morana.
E, quando a atenção está fragmentada, generalizar a comunicação pode se tornar um detrator. Ao falar com públicos diferentes da mesma maneira, a marca corre o risco de tornar a mensagem pouco relevante para todos eles.
É como oferecer o mesmo argumento para uma cliente que busca tendência, para outra que procura um presente ou outra interessada em custo-benefício. Todas podem estar olhando para a mesma marca, mas cada uma precisa de um motivo diferente para prestar atenção.
É a partir dessa percepção que passamos a trabalhar com diferentes linguagens, estéticas e criadoras de conteúdo. Nosso squad reúne 14 influenciadoras, mas a intenção não é fazer com que 14 mulheres reproduzam uma única voz da marca. Queremos que 14 mulheres diferentes falem sobre a Morana a partir de suas próprias perspectivas.
Elas têm pontos de conexão (moda, beleza, preocupação estética e identificação com o universo da marca), mas preservam suas individualidades. E é justamente essa diversidade de olhares que torna a comunicação mais próxima das diferentes mulheres com quem queremos conversar.
Também organizamos nossa estratégia de conteúdo a partir de três movimentos: participar, escapar e conectar.
Participar significa abrir espaço para a audiência fazer parte da conversa, escolher um acessório, opinar sobre uma combinação, responder, interagir. A comunicação leva a mensagem da marca para o consumidor, mas também passa a ser uma troca.
Escapar é entender que nem todo conteúdo precisa vender. Se aparecemos no feed de uma mulher justamente quando ela está procurando entretenimento, precisamos oferecer uma razão para que ela pare e preste atenção. Marcas também disputam espaço com conteúdos que divertem, informam e até surpreendem.
Conectar talvez seja a camada mais profunda. Uma marca de acessórios não vende apenas acessórios. Existe uma dimensão de autoestima, expressão e identidade envolvida na escolha do que vestir e de como queremos nos apresentar ao mundo. Na Morana, traduzimos essa ideia em “Faz bem se ver bem”. Antes de pedir uma conversão, precisamos criar identificação.
Essa mudança de perspectiva também altera a forma como enxergamos o papel do marketing. O desafio não é simplesmente produzir mais conteúdo ou estar presente em mais plataformas. É compreender por que alguém escolheria dedicar alguns segundos de atenção à nossa marca em meio a milhares de estímulos.
Hoje, o algoritmo conhece muito bem o conteúdo que prende a atenção. O desafio das marcas é conhecer tão bem quanto o algoritmo a pessoa que está do outro lado.
O marketing evolui quando deixa de medir sua força apenas pelo alcance e passa a considerar a relevância que consegue construir com cada pessoa. E é justamente nesse ponto que o trabalho da nossa equipe ganha força, ao transformar dados em mensagens mais relevantes, capazes de criar conexão de verdade.
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